sexta-feira, 17 de julho de 2015

Princesinha de vidro

As águas mais límpidas estão nos poços mais profundos...
Cave... cave mais fundo. Não pense. Desça...
Não se incomode com o silêncio, ele será sua canção de ninar..
-*-
Pequena princesinha de vidro, não fique com medo de se quebrar...
Desça mais... deixe-se envolver pela escuridão, busque sua fonte mais pura.
O caminho, ninguém conhece, ninguém pode te ajudar...
-*-
Não chore, pequenina, esses machucados serão sua coroa...
Seque suas lágrimas e continue.. consegue escutar o som das águas correndo?
Lembre-se do que te trouxe aqui... Não desista, não fuja, você sabe que precisa disso. Essa jornada é só sua, só você pode concluir.
-*-
No mais profundo silêncio, na mais negra escuridão você vai achar o que precisa, você vai renascer e carregar com orgulho as cicatrizes do caminho... você vai encontrar sua força e descobrir que nada pode te machucar. Nada vai te machucar de novo...
-*-
O medo é uma fraqueza. Quebre-se, princesinha, mostre o que há por baixo. Não pense na dor, saboreie cada instante imerso nela. Sinta essa dor em cada um dos seus ossos. Faça dela sua chama. Purifique-se.
-*-
No final do caminho, mergulhe no vazio profundo, lave-se com suas águas mais puras, mais calmas. Sinta-se adormecer, amortecer, renascer...
-*-
... jogue fora sua máscara, pequenina, não esconda seus olhos... levante-se. Forte. Fria. Renascida. Rainha do seu próprio mundo. Aquela que governa, que decide, que julga.

Incontestável. Rainha de Espinhos.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Segunda, 19 de maio de 2008
Horário: 12:50
Local: Praça Saens Pena (não sei colocar ~ no 'n' então vai ficar assim mesmo...)


Fazia muito calor naquela segunda-feira fatídica... eu, com muuuito sono, caminhava para o ponto do ônibus afim de esperar pelo tão sonhado "Útil" que me levaria ao meu destino final... minha casa, meu sofá, meu sono... Caminhávamos a passos vagarosos em meio aquela multidão de pessoas e papéis de "dinheiro fácil"... Já era perto de 13h então era de se esperar que a fome batesse a qualquer momento. E foi quando eu passei por um carrinho de pipocas que ela despertou em mim... Não resolvi parar de imediato, depois de ter chegado ao ponto do ônibus foi que decidi que deveria ir até aquele carrinho e comprar pipoca doce. Compartilhei minha idéia com meus amigos, e fui apoiada. Então, lá fui eu, ao encontro das pipocas, durante o trajeto pensava...'Será que tem leite condensado...?'.
Parei em frente ao carrinho mas a senhora, que mexia a pipoqueira, não percebeu a minha presença. Dei a volta e disse: "Oi...?!", ela me olhou sorridente..." Pode falar." Como todo cidadão brasileiro que tem problemas com as finanças, perguntei o preço antes de pedir as pipocas, até porque no meu bolso só tinha R$1,50..."Tem de 'um' e tem de 'dois'"..."Vou querer uma pequena..." Foi então que o inédito aconteceu...Quando pedi a pipoca a senhora olhou para mim com um ar de intriga... olhou para a pipoqueira que mexia incessantemente e voltou a olhar pra mim..." Ih menina... eu 'tô' fazendo a 'doce', não posso parar de mexer não... mexe aqui pra mim enquanto eu pego sua pipoca"... Olhei para a mulher, olhei para o metal que saía de dentro da panela sem nenhuma proteção contra o calor e pensei..."Vou me queimar com certeza...". A mulher por sua vez, ainda mexia e agora tinha aberto um espaço para que eu me aproximasse e assumisse seu posto... Relutante, encostei no carrinho e comecei a mexer a pipoqueira, que por incrível que pareça, não estava tão quente... Por outro lado, o vapor que escapava da panela era insuportável... E eu debaixo do sol... Perto de 13h... Quando ela terminou de encher o saquinho "feito com carinho" perguntou: " Quer leite?", a resposta era óbvia: "Quero!". Quando eu pensava que poderia finalmente desfrutar daquelas maravilhas doces encostou no carrinho um homem gordo e sem camisa, uma senhora e uma menina... Pediu uma pipoca para a criança... A mulher, confusa, me olhou (eu ainda mexendo a pipoqueira) olhou para o homem, olhou para a minha pipoca pronta para ser entregue, voltou a olhar para o homem e então, com os olhos semi-arregalados perguntou: "Quem vai mexer a pipoqueira?"

terça-feira, 4 de junho de 2013

Mudanças

Não sou a mesma pessoa... não sinto igual, não amo igual, não sofro igual... As mudanças não pedem permissão para acontecer, elas simplesmente nos surpreendem e nos arrebatam. Nos viram do avesso, nos jogam de um lado para o outro, assopram a poeira e dizem: acostume-se, você mudou. Com o corpo dolorido, a mente cansada, o ânimo fraco nos vemos em uma realidade desconhecida. Acordamos em um vasto deserto com uma missão e nenhuma ferramenta. Reconstrua-se. Mas como...? Se nem sequer temos todos os pedaços que faltam em nós... 
Seguir em frente é difícil, mas necessário... sentimos falta do velho "eu". Olhamos para trás e tudo parece tão melhor, mais feliz, mais coerente do que o deserto que temos a frente. Ver quem nós éramos traz uma sensação de vazio, perda, confusão... quem sou eu agora? 
Mudanças não pedem permissão para acontecer... a vida nos tira o que temos de mais estimado, para que na ausência de tudo possamos nos agarrar àquilo que menos valorizamos: a existência, a essência... a Alma.
Nós lutamos, sofremos e mudamos. Nada será como antes, diz a nossa Alma inquieta dentro de nós...

sexta-feira, 11 de março de 2011

Pois então,...

"- Tudo bem, o que há de errado com o amor, Tony?
- O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz a gente se sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.
- Tudo bem, então devemos fazer o melhor possível."
Já dizia o sábio Bukowski...
[ Numa Fria - Bukowski ]

sábado, 22 de janeiro de 2011

Feliz

Uma vez lhe disseram que ela teria que fazer escolhas, que não poderia ter tudo, que para ganhar algo teria que abrir mão de alguma coisa. Disseram que ela não deveria se arriscar porque isso poderia lhe trazer dor, que ela não deveria amar porque o amor não seria capaz de trazer sua liberdade.


Mas não, ela não podia ficar de lado, escondida em um lugar seguro, assistindo sua vida passar, olhando tão infeliz. Ela sabia que só precisava segurar firme e não se deixar desaparecer...


Ela não se importava se iria machucar, não se importava se o mundo a jogasse para fora, tirando o chão de sob seus pés. Ela já não ligava para a dor que sabia que viria logo em frente. Ela queria apenas ser feliz.


Ela se sentia fraca e tinha vontade de abandonar tudo o que tinha conseguido. Ela estava caída, mas não havia sido derrotada. Ela não via sentido e não queria entender, cansada de se esforçar, cansada de nadar sempre contra a corrente. Ela queria uma solução rápida, mas não queria as consequências. Ela queria ser forte, ela precisava ser forte.


Ela queria apenas ser feliz.