domingo, 9 de maio de 2010

Diferente das outras

Sem culpa, ela está destinada a ser protegida, mas não há quem reacenda a chama em seu coração. Sem sangue, mas não há ninguém aqui por ela, ninguém ao seu lado, o mundo à abandonou... Ela deveria ter visto que seria desse jeito, ela deveria saber que acabaria assim. Quando você ama e perde, entende como é se sentir vazio.
Ela está indo embora, deixando este mundo. Flutuando como uma pluma, ela não é como as outras garotas. Ela vive nas nuvens e conversa com os pássaros, pequena desesperançosa, ela não é como as outras garotas.
Sem mais vergonha, ela já sentiu muita dor, em sua mente ela repete as palavras: 'todo amor que você demonstrou um dia voltará para você'.
Ela construiu o seu castelo e dele governa seu reino vazio. Ela não é como as outras garotas.
Ela canta palavras devoradas pelo vento, e espera uma resposta que nunca chegará. Ela não é como as outras garotas.
Sem mais tristeza, ela já consegue erguer a cabeça e fitar a imensidão... Sem amor, ela se esconde atrás das sombras da devoção...
Ela está indo embora, deixando este mundo. Flutuando como uma pluma, ela não é como as outras garotas...
*releitura da música 'Not like the other girls'

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Tarde demais

'Amanhã pode ser tarde demais...' Muitos falam, poucos seguem os princípios implícitos nessa frase que já está tão 'gasta'. É tão comum escutarmos pessoas dizendo que temos que 'viver intensamente', para 'não deixar para amanhã o que podemos fazer hoje', que a vida só se vive uma vez... Pessoas que afirmam não estarem arrependidas de nada do que tenham feito e defendem essa posição com unhas e dentes. Mas se isso fosse verdade porque vemos tantos medrosos, tantas pessoas que acham mais fácil ignorar e evitar uma outra pelo único motivo de terem medo do que vai acontecer depois. Pessoas que têm tanto medo de não viver que acabam perdendo tempo tentando forçar uma realidade longe do natural. Viver é acumular experiências e não fugir delas. É entender que as pessoas são únicas e que se aprende uma coisa nova com cada uma. É ter certeza que tudo pode ser diferente se você apenas decidir se arriscar. É se arrepender sim de eventuais falhas, mas não deixar que o remorso afete o que você tem pela frente.
Não existe um jeito certo de viver, não existe uma regra pra se 'viver intensamente', só existe o caminho... para frente...vivendo...antes que seja tarde demais.

quinta-feira, 18 de março de 2010

A espera...

Quando não há mais ninguém por perto... quando não se consegue mais derramar uma gota sequer do mais sincero choro... quando não se sabe ao menos o porquê de tamanho descaso... quando ninguém quer explicar... quando não há forças ou vontade continuar... quando o antigo 'eu' se perdeu e o novo 'eu' ainda não surgiu...
Não sabemos ao certo quem somos, não sabemos como devemos nos sentir. Flutuando acima da realidade procuramos alguma parte perdida de nós mesmos, flutuamos... leves e ao mesmo tempo pesados, nossa mente quer voar para longe do sofrimento, mas o coração diz 'enfrente, reaja, não se deixe levar para lugares tão distantes, não perca o caminho de volta'...
Queremos nos reconstruir, recriar o que se perdeu, mas não conseguimos olhar pra trás e sem fazê-lo não temos ânimo de ir em frente.
Temos vontade de fugir, deixar que o tempo nos preencha com alguma coisa, deixar que caminhos desconhecidos nos dêem a sensação de viver. Não queremos uma consciência vítima de uma dualidade, que nos incrimina logo após ter nos julgado inocentes, mas não queremos a ausência de sentimentos, o vazio, o torpor...
Quando o antigo 'eu' se perdeu e o novo 'eu' ainda não surgiu...

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Pequenas coisas

Coisas ruins acontecem a todo instante, não podemos evitar. Não existe uma maneira de não permitir que pessoas nos magoem, faz parte da vida. Temos a tendência de exigir a completa e mais perfeita felicidade mas ignoramos o fato de que não existe perfeição em parte alguma do mundo. Todos nós temos defeitos, dificuldades e limitações, mas isso jamais vai ser impedimento para se alcançar o equilibrio, a felicidade. Gostamos tanto de dar atenção aos eventos grandes e ruins, às decepções que tanto nos ferem e não atentamos para aquelas pequenas coisas, que uma vez já mudaram nosso dia, nos emocionaram, evidenciaram o que uma pessoa tem de melhor dentro de si. São elas que ilustram o caráter, exteriorizam aquilo que é mais dificil de se demonstrar, o que realmente se passa dentro de nós. Sem mentiras, sem fingimento, é a verdade expressa na sua mais simples forma.
Por mais que discórdias, mal entendidos ou grandes erros aconteçam, são as pequenas coisas que nos levam de volta. Sabemos que não é certo, mas parece tão injusto que elas nos infuenciem tanto, a ponto de esquecermos qualquer coisa que tenha nos deixado de alguma forma, mal.
Elas são nosso remédio, pequenas doses de pequenos gestos que muitos achariam insignificantes, mas que pra nós, que fomos moldados pela vida a socos e pontapés, valem o peso do mundo em ouro.
Não, não é uma questão de tolerar as maiores injustiças esperando no futuro receber migalhas de algo bom. É uma questão de valorizar aquilo que nos faz bem, e deixar que os desaforos dessa vida cuidem de si.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A boa e velha conversa

Nem sempre as palavras expressam aquilo que nós gostaríamos de dizer. Quando pensamos na capacidade da nossa mente, na magnitude do raciocínio humano, percebemos como nosso vocabulário é limitado. Percebemos como somos extremamente dependentes de nossa expressão corporal. Somos dotados de talentos incríveis, que por vezes não acompanham a linguagem escrita por ser esta demasiada obsoleta. Queremos expressar nossas conquistas e nos vemos limitados por palavras tão 'pequenas' e 'pobres', com significados tão vazios, que nos questionamos porquê usar palavras definidas por alguém que jamais teve as mesmas experiências que nós tivemos. Será que nos tornamos tão complexos a ponto de não conseguirmos nos comunicar através de meras palavras? Ou será que nos deixamos levar pela 'modernização', excluindo de nossas vidas a boa e velha conversa 'cara a cara', nos restringindo a um mundo de 'longas distâncias'? Mundo este onde não temos o apoio de nossas expressões e gestos, que otimizariam em muito nossa relação com as pessoas que nos cercam.
Porque será que nem sempre as palavras expressam aquilo que gostaríamos de dizer? Nos cansamos de ouvir que "um gesto vale mais que mil palavras" e ainda temos dúvida quanto a resposta para isso. E se tomamos isso como verdade, que diriamos quanto a um gesto e uma palavra utilizados em conjunto... o mundo teria um colapso....