quinta-feira, 18 de março de 2010

A espera...

Quando não há mais ninguém por perto... quando não se consegue mais derramar uma gota sequer do mais sincero choro... quando não se sabe ao menos o porquê de tamanho descaso... quando ninguém quer explicar... quando não há forças ou vontade continuar... quando o antigo 'eu' se perdeu e o novo 'eu' ainda não surgiu...
Não sabemos ao certo quem somos, não sabemos como devemos nos sentir. Flutuando acima da realidade procuramos alguma parte perdida de nós mesmos, flutuamos... leves e ao mesmo tempo pesados, nossa mente quer voar para longe do sofrimento, mas o coração diz 'enfrente, reaja, não se deixe levar para lugares tão distantes, não perca o caminho de volta'...
Queremos nos reconstruir, recriar o que se perdeu, mas não conseguimos olhar pra trás e sem fazê-lo não temos ânimo de ir em frente.
Temos vontade de fugir, deixar que o tempo nos preencha com alguma coisa, deixar que caminhos desconhecidos nos dêem a sensação de viver. Não queremos uma consciência vítima de uma dualidade, que nos incrimina logo após ter nos julgado inocentes, mas não queremos a ausência de sentimentos, o vazio, o torpor...
Quando o antigo 'eu' se perdeu e o novo 'eu' ainda não surgiu...

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Pequenas coisas

Coisas ruins acontecem a todo instante, não podemos evitar. Não existe uma maneira de não permitir que pessoas nos magoem, faz parte da vida. Temos a tendência de exigir a completa e mais perfeita felicidade mas ignoramos o fato de que não existe perfeição em parte alguma do mundo. Todos nós temos defeitos, dificuldades e limitações, mas isso jamais vai ser impedimento para se alcançar o equilibrio, a felicidade. Gostamos tanto de dar atenção aos eventos grandes e ruins, às decepções que tanto nos ferem e não atentamos para aquelas pequenas coisas, que uma vez já mudaram nosso dia, nos emocionaram, evidenciaram o que uma pessoa tem de melhor dentro de si. São elas que ilustram o caráter, exteriorizam aquilo que é mais dificil de se demonstrar, o que realmente se passa dentro de nós. Sem mentiras, sem fingimento, é a verdade expressa na sua mais simples forma.
Por mais que discórdias, mal entendidos ou grandes erros aconteçam, são as pequenas coisas que nos levam de volta. Sabemos que não é certo, mas parece tão injusto que elas nos infuenciem tanto, a ponto de esquecermos qualquer coisa que tenha nos deixado de alguma forma, mal.
Elas são nosso remédio, pequenas doses de pequenos gestos que muitos achariam insignificantes, mas que pra nós, que fomos moldados pela vida a socos e pontapés, valem o peso do mundo em ouro.
Não, não é uma questão de tolerar as maiores injustiças esperando no futuro receber migalhas de algo bom. É uma questão de valorizar aquilo que nos faz bem, e deixar que os desaforos dessa vida cuidem de si.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A boa e velha conversa

Nem sempre as palavras expressam aquilo que nós gostaríamos de dizer. Quando pensamos na capacidade da nossa mente, na magnitude do raciocínio humano, percebemos como nosso vocabulário é limitado. Percebemos como somos extremamente dependentes de nossa expressão corporal. Somos dotados de talentos incríveis, que por vezes não acompanham a linguagem escrita por ser esta demasiada obsoleta. Queremos expressar nossas conquistas e nos vemos limitados por palavras tão 'pequenas' e 'pobres', com significados tão vazios, que nos questionamos porquê usar palavras definidas por alguém que jamais teve as mesmas experiências que nós tivemos. Será que nos tornamos tão complexos a ponto de não conseguirmos nos comunicar através de meras palavras? Ou será que nos deixamos levar pela 'modernização', excluindo de nossas vidas a boa e velha conversa 'cara a cara', nos restringindo a um mundo de 'longas distâncias'? Mundo este onde não temos o apoio de nossas expressões e gestos, que otimizariam em muito nossa relação com as pessoas que nos cercam.
Porque será que nem sempre as palavras expressam aquilo que gostaríamos de dizer? Nos cansamos de ouvir que "um gesto vale mais que mil palavras" e ainda temos dúvida quanto a resposta para isso. E se tomamos isso como verdade, que diriamos quanto a um gesto e uma palavra utilizados em conjunto... o mundo teria um colapso....

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Tentativas

Me perdoe por começar com isso tudo. Mas a ninguém pode ser vetado o direito de sonhar. As coisas que eu queria dizer se perdem antes mesmo que eu consiga formula-las, e eu não consigo te explicar, espero que com o tempo, as ações possam falar aquilo que as palavras não conseguiram dizer.
Todos somos sonhadores natos, uns têm sonhos mais ambiciosos, outros se contentam com as coisas simples da vida. Todos procuramos avidamente por alguém que possa realizá-los, alguns procuram bem longe, outros simplesmente abrem seus olhos e começam a perceber quem está a sua volta. Temos a sensação de que se procurarmos longe teremos uma recompensa maior, nosso esforço será reconhecido. Sofremos com a caminhada e por vezes gostamos disso. Gostamos da ideia de nos martirizarmos por aquilo de tal maneira que paramos de procurar pelo que realmente interessa. Tudo o que precisamos pode estar ao nosso lado, é uma questão de olhar em todas as direções, de saber reconhecer nosso sonho quando olhamos para ele, de descobri-lo dentro de alguém. Não precisamos de uma longa jornada para uma grande realização, precisamos sim é de percepção e sensibilidade. Ser sensível é ser capaz de ver com nitidez o que pra muitos passaria despercebido, é aproveitar oportunidades mascaradas de pequenas possibilidades.
Todos somos sonhadores natos, a diferença é que poucos são corajosos o suficiente para se arriscar a realizar seus sonhos. Fazendo coisas que normalmente não faziam, procurando em lugares que antes nem olhavam, confiando inteiramente em alguém depois de ter sido completamente enganado por outro, é assim que conseguiremos... a tentativa aumenta a probabilidade. Tudo é uma questão de tentar...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Considerações

"Quando a vida lhe oferece um sonho muito além das suas expectativas, é irracional se lamentar quando isso chega ao fim..."
Em um momento temos tudo que queríamos...é como se um sonho tivesse se materializado bem a nossa frente. É quase inacreditável, depois de tanto tempo vivendo numa realidade tão dura e cruel, nos alimentando de fantasias que almejávamos enlouquecidamente que fossem verdade, temos algo palpável, real, bom. Tão bom que temos a sensação de que aquilo tudo é um engano, que a sorte se entregou a pessoa errada. Começamos a viver uma realidade ilusória, transcendemos a felicidade e entramos em um estado de torpor, graça. Mas não perdemos nossa consciência, nos agarramos à pouca razão que nos resta e desfrutamos, antes que tudo desvaneça e nos deixe sozinhos.....de novo. Sentimos o medo, a angústia de um dia ver tudo acabado, tentamos nos prender a qualquer coisa que nos dê segurança, comprometimento, mesmo sabendo que não importa o esforço e empenho, não podemos fugir do que nos foi destinado.
E como um ladrão entra furtivo e rouba toda uma casa, o fantasma do presente se infiltra, sem piedade, e nos tira tudo. Nos vemos abandonados e desacreditados. Sentimos o ímpeto de reclamar, amaldiçoar a nossa existência, odiar qualquer um que possa ter alguma ligação com a nossa perda sem nos lembrarmos que antes de tudo não merecíamos o que recebemos. Não podemos reclamar de um presente que se quebra por descuido nosso, quanto mais odiar o presenteador...
"Quando a vida lhe oferece um sonho muito além das suas expectativas, é irracional se lamentar quando isso chega ao fim..."